O número 666 preserva em contexto
judaico-cristão uma ideia de desgraça e destruição e está associado ao Diabo. O
mito provém de algumas interpretações da Bíblia e traduções hebraicas mas
resumindo uma longa história o número está associado ao apocalipse e ao fim do
mundo.
Pois bem, em Portugal é outro
número que ameaça destruir os media -
760
Os números 760 são serviços de
tarifa única providenciados pelas companhias telefónicas (PT, Optimus, TMN …) A
sua utilização é muito simples. Quem liga para estes números é cobrado 0.60€
mais IVA por cada chamada. Os lucros deste sistema são partilhados entre a
companhia telefónica e quem solicitou o serviço.
A televisão portuguesa rendeu-se
a esta forma de financiamento e hoje em dia é impossível fazer zapping sem encontrar de imediato um
anúncio com um destes números. Ao longo da história, o principal meio de
financiamento dos meios de Comunicação sempre foi a publicidade. O que faz
sentido na medida em que os anunciantes tem produtos/serviços para divulgar e
os media possuem uma audiência
massificada. No entanto, negociar tempo de antena é sempre complicado pois é difícil
fazer a conversão de segundos de um anúncio de TV para euros. Assim, as
televisões procuraram novas formas de financiamento e chegaram aos números 760.
O problema foi que exageraram.
Os conteúdos televisivos que antigamente
serviam para informar, persuadir, educar, socializar e distrair servem agora
apenas como angariadores de fundos.
Dia após dia, hora após hora
é-nos projetado promessas de dinheiro em forma de concursos. Na maior parte dos
casos quem efetua a chamada só sofre os efeitos no fim do mês quando chega a
fatura do telefone.
A televisão rendeu-se
definitivamente ao demónio dos lucros e das audiências. O sucesso ou insucesso de
um programa revela-se no número de pessoas a ligar para um número 760. O
programa em si já nem interessa.
Sem querer julgar a qualidade de qualquer um
destes programas …. Mas de facto eles já nem interessam. O valor sociocultural
dos programas desapareceu e apenas o valor financeiro prevalece.

