segunda-feira, 22 de julho de 2013

760 - o nº do Diabo

O número 666 preserva em contexto judaico-cristão uma ideia de desgraça e destruição e está associado ao Diabo. O mito provém de algumas interpretações da Bíblia e traduções hebraicas mas resumindo uma longa história o número está associado ao apocalipse e ao fim do mundo.

Pois bem, em Portugal é outro número que ameaça destruir os media - 760  

Os números 760 são serviços de tarifa única providenciados pelas companhias telefónicas (PT, Optimus, TMN …) A sua utilização é muito simples. Quem liga para estes números é cobrado 0.60€ mais IVA por cada chamada. Os lucros deste sistema são partilhados entre a companhia telefónica e quem solicitou o serviço.



A televisão portuguesa rendeu-se a esta forma de financiamento e hoje em dia é impossível fazer zapping sem encontrar de imediato um anúncio com um destes números. Ao longo da história, o principal meio de financiamento dos meios de Comunicação sempre foi a publicidade. O que faz sentido na medida em que os anunciantes tem produtos/serviços para divulgar e os media possuem uma audiência massificada. No entanto, negociar tempo de antena é sempre complicado pois é difícil fazer a conversão de segundos de um anúncio de TV para euros. Assim, as televisões procuraram novas formas de financiamento e chegaram aos números 760.

O problema foi que exageraram.

Os conteúdos televisivos que antigamente serviam para informar, persuadir, educar, socializar e distrair servem agora apenas como angariadores de fundos.
Dia após dia, hora após hora é-nos projetado promessas de dinheiro em forma de concursos. Na maior parte dos casos quem efetua a chamada só sofre os efeitos no fim do mês quando chega a fatura do telefone.

A televisão rendeu-se definitivamente ao demónio dos lucros e das audiências. O sucesso ou insucesso de um programa revela-se no número de pessoas a ligar para um número 760. O programa em si já nem interessa. 

Sem querer julgar a qualidade de qualquer um destes programas …. Mas de facto eles já nem interessam. O valor sociocultural dos programas desapareceu e apenas o valor financeiro prevalece. 



Begin, be bold and venture to be wise

Jornalismo Bebé surgiu naturalmente, o que costuma ser raro no início deste tipo de projetos mas talvez seja um bom augúrio. Apesar da facilidade com que o nome saiu, ele relaciona-se inteiramente com o que me incentivou a começar este empreendimento:

Neste momento, Jornalismo Bebé ilustra a minha habilidade de escrever. Como estudante de jornalismo seria de esperar que já conseguisse escrever algo que o leitor apreciasse. No entanto, ao que tudo indica saber escrever não é uma característica necessária ou exigida aos alunos que poderão estar a trabalhar em jornais daqui a 3 anos (talvez aborde este assunto mais tarde). Assim, um dos objectivos por trás destes textos é melhorar a minha escrita de modo a não me rever na imprensa portuguesa – o que me leva a outros dos significados de Jornalismo Bebé.

O estado dos meios de comunicação social em Portugal só pode ser explicado se estes de facto estiverem ainda numa fase embrionária. O desrespeito de todas as regras por parte de algumas publicações e, entre outros atentados, a ditadura das audiências e do dinheiro dos grandes canais generalistas revelam a pobreza do ramo.

Assim, neste espaço poderão contar com notícias e trabalhos jornalísticos bem como opiniões pessoais, críticas, crónicas e outros textos. Sugestões, comentários e reparos são bem vindos até porque esse é também um objectivo – evoluir como escritor e formar um bom profissional da comunicação.

Agradecimentos,

um futuro jornalista …